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Exportações para o Japão aumentam depois de cinco quedas consecutivas

14 / 09 /2017

As exportações brasileiras para o Japão cresceram 1,65% entre janeiro e agosto deste ano, na comparação com igual período do ano passado, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).

Se for mantido até o final do ano, esse pequeno avanço vai reverter uma sequência de cinco quedas consecutivas das vendas, que teve início em 2011. Naquele ano, foram recebidos US$ 9,473 bilhões pelas exportações para o Japão. Já em 2016, menos da metade desse valor (US$ 4,604 bilhões) foi obtido com os embarques. Dessa forma, os asiáticos recuaram da quinta para a sexta posição entre os principais destinos dos produtos brasileiros.

Em 2017, a recuperação das vendas é causada pelo bom momento das commodities. Até agosto, foram registrados aumentos nos embarques do minério de ferro (31,9%), da carne de galo (23,4%) e da soja (2,4%), três dos principais itens exportados para o Japão. Por outro lado, o embarque de manufaturados recuou 0,3% no período, puxado pela a queda na exportação de aviões (-18,6%). No total, US$ 3,116 bilhões foram recebidos pelas vendas durante os oito meses deste ano.

De acordo com especialista consultado pelo DCI, existe espaço para um aumento maior dos embarques para o país asiático. Para isso, diz ele, será necessária uma redução das tarifas japonesas e uma melhora da percepção dos orientais sobre as mercadorias produzidas pelos brasileiros, prejudicada pela Operação Carne Fraca.

"O Japão é um país bastante protecionista. Por isso, é importante a negociação para reduzir a cobrança de impostos de importação", diz Matheus Andrade, consultor da Barral M Jorge. Uma das maneiras de melhorar esse quadro é a construção um acordo de livre comércio entre os países, afirma o entrevistado. Segundo ele, as negociações para esse tratado estão em fase inicial.

Sobre a exportação de carne bovina, Andrade afirma que o Brasil já tenta vender esse item para os japoneses há algum tempo, mas foi prejudicado pelas investigações sobre o setor no começo do ano. Ainda assim, ele acredita que a abertura desse mercado pode acontecer no médio prazo.

Andrade também destaca o esforço do setor agrícola brasileiro em ampliar as vendas para a Ásia. "Existe uma estratégia definida nesse sentido." Entretanto, ele lembra que a situação do Japão é diferente da de outros países do continente. "A população de lá já é rica e tem idade mais avançada. Não deve haver um aumento na demanda local, como ocorre na Índia e na China", compara.

Importações e aportes

As compras brasileiras do Japão ficaram praticamente estáveis na comparação com o ano passado. Entre janeiro e agosto de 2017, foram gastos US$ 2,382 bilhões com as importações, um aumento de 0,7%. Na oitava posição entre os principais fornecedores de produtos para o Brasil, os asiáticos vendem principalmente mercadorias de maior valor agregado, como automóveis.

Professor de economia da Universidade de São Paulo (USP), Silvio Miyazaki afirma que a estabilidade das compras se deve à fraqueza da demanda brasileira. "Grande parte da importação é feita por empresas japonesas que produzem e vendem no Brasil. Com a crise, a necessidade dessas compras recuou."

O cenário atual também prejudica os investimentos diretos vindos do Japão. Na categoria participação no capital, que representa os aportes no setor produtivo, foi registrado recuo de 60% neste ano, para US$ 390 milhões, de acordo com dados do Banco Central.

Segundo Miyazaki, a instabilidade política e econômica afasta os recursos japoneses. "Ao longo da história, sempre que ocorreram crises no Brasil, os japoneses reduziram os investimentos e esperaram por um momento melhor."

Na visão dele, é possível que os aportes avancem após as eleições presidenciais de 2018, caso insegurança no País diminua. Um dos destinos desses investimentos, segue ele, pode ser as concessões do governo federal em infraestrutura.

No final do mês passado, representantes dos governos brasileiro e japonês se reuniram em Brasília. Na ocasião, o ministro substituto do Mdic, Marcos Jorge, disse que há interesse em buscar novos negócios com o Japão, em áreas como eficiência energética e rotulagem ambiental.

Renato Ghelfi

DCI (SP) – Economia – 14/09/2017 – Pág. 05