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FMI melhora suas projeções para o Brasil

11 / 10 /2017

O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou as previsões para o crescimento do Brasil neste ano e em 2018, mas ainda está menos otimista com o país em relação ao período anterior à crise política do governo Michel Temer. Segundo o FMI, que melhorou as estimativas também para a economia global, o Brasil vai crescer 0,7% neste ano e 1,5% em 2018. As projeções anteriores eram de 0,3% e 1,3%, respectivamente.

“No Brasil, o forte desempenho das exportações e um menor ritmo de contração na demanda doméstica permitiram que a economia voltasse a crescer positivamente no primeiro trimestre de 2017, após oito trimestres de declínio”, informou o Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), divulgado ontem. O texto cita ainda como fatores para esse crescimento a “safra abundante” e o consumo, que ganhou o impulso das contas inativas do FGTS.

Apesar da melhora, a projeção para 2018 ainda é inferior à divulgada em abril, quando estava em 1,7%. Na ocasião, a delação premiada de Joesley Batista, com gravações que envolviam Temer, ainda não havia vindo à tona.

— Nossas projeções trazem um fim da recessão no Brasil. Tivemos dois trimestres consecutivos de crescimento positivo, então o Brasil parece ter entrado em um momento de virada. Por conta da instabilidade em andamento no cenário político, em termos de políticas, nossa perspectiva é bastante fraca. Nós esperamos uma recuperação bem abaixo do esperado daqui para frente — afirmou Oya Celasun, chefe do Departamento de Pesquisa do FMI.

Ela disse que o Brasil precisa de mais solidez em sua situação fiscal antes de retornar a uma fase de maior crescimento, ainda que tenha elogiado a aprovação do teto para os gastos públicos, no fim do ano passado. E, para isso, a reforma da Previdência é necessária, afirmou:

— O próximo passo importante é aprovar a reforma da Previdência em um tempo razoável, sem muitas alterações em relação à proposta do governo. NA LANTERNA DA AMÉRICA LATINA Oya observou, ainda, que o Brasil precisa acelerar as reformas estruturais para estimular o crescimento potencial, além de aumentar os investimentos em infraestrutura e melhorar o ambiente de negócios.

O Fundo prevê um índice de desemprego de 13,1% no fim deste ano e de 11,8% em 2018. A inflação fecharia 2017 em 3,7% — as projeções do mercado estão em torno de 3% —, alcançando 4% no ano que vem.

O relatório destacou também a melhora no ambiente de negócios no Brasil e os esforços contra a corrupção. “O fortalecimento das instituições também pode ajudar a reduzir as percepções de risco do país e atuar como uma força de compensação contra um possível aperto das condições financeiras globais.”

Apesar da melhora nas previsões — o Brasil está ao lado da Rússia entre as maiores revisões —, o país vai continuar crescendo menos que a média da América Latina. As projeções para a região são de crescimento de 1,2% neste ano e de 1,9% em 2018.

As estimativas para a expansão da economia global passaram de 3,5% para 3,6% este ano. Essa melhora se deve ao desempenho dos países ricos, especialmente os da Europa, o Japão e os Estados Unidos. Para os emergentes, a previsão ficou estável em 4,6%, devido à expectativa de crescimento menor na Índia (6,7%, contra 7,2% em julho).

Para 2018, a projeção global passou de 3,6% para 3,7%, com melhora nas estimativas tanto para países ricos como para os emergentes. O FMI comemorou o fato de o crescimento global estar mais forte que os 3,2% registrados em 2016.

Mas Maurice Obstfeld, conselheiro econômico e diretor do Departamento de Pesquisa, ressaltou que o mundo não se recuperou completamente da crise financeira global iniciada em 2008. O aumento da desigualdade é apontado como primeiro grande desafio, juntamente com o fato de 20% dos países do mundo estarem em recessão ou estagnados.

O WEO vê “empregos bem remunerados cada vez mais escassos”, com forte concentração de atividades de meio período, o que reforça o aumento da disparidade de renda.

O Globo – Economia – 11/10/2017 – Pág. 21