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Volkswagen T-Cross: veja cinco pontos fortes e cinco deslizes do SUV

11 / 10 /2018

Volkswagen T-Cross: veja cinco pontos fortes e cinco deslizes do SUV

O Volkswagen T-Cross será apresentado mundialmente em 25 de outubro, dias antes de se tornar a grande estrela da marca no Salão do Automóvel de São Paulo. Sua revelação vai saciar muitas curiosidades, mas não todas: afinal, sua chegada às ruas ocorrerá apenas no primeiro semestre de 2019, com possibilidade de atraso no início da produção.

A boa notícia é que a equipe de UOL Carros já teve dois contatos com o inédito SUV: um na Europa, em julho, e outro no início deste mês, quando andamos com um protótipo da configuração brasileira, a ser produzida em São José dos Pinhais (PR).

Com base em nossas impressões ao dirigir uma unidade 1.0 turbo na Alemanha e outra 1.4 turbinada no Brasil, embora ainda camufladas e desprovidas de alguns elementos do acabamento final, criamos uma lista com cinco pontos em que o T-Cross deve gerar fortes dores de cabeça à concorrência, e outras cinco em que o modelo poderia se sair melhor. Confira.

Motorização moderna
Talvez o maior diferencial do T-Cross frente à concorrência seja a oferta de uma dupla moderna, eficiente e turboflexível de motores: 1.0 TSI (115/128 cv e 20,4 kgfm, gasolina/etanol) e 1.4 TSI (150 cv e 25,5 kgfm, qualquer combustível) foram as escolhas da Volkswagen para encarar Honda HR-V, Jeep Renegade, Nissan Kicks, Hyundai Creta, Ford EcoSport e restante da companhia. Enquanto a primeira opção constará nas versões básicas e virá acoplada a câmbio manual de cinco ou automático de seis marchas, a segunda estará presente nas derivações mais caras e será sempre gerenciada por caixa automática.

Preços potencialmente agressivos
A utilização desses dois propulsores trará outra vantagem: margem para praticar preços agressivos em relação aos rivais. Isso porque a tributação de IPI (imposto industrial) sobre automóveis no Brasil é progressiva conforme a capacidade cúbica do motor (o que significa que um 1.6, 1.8 ou 2.0 aspirado pagará alíquota maior do que um 1.0 ou 1.4 turbo). Nossa reportagem aposta que que o T-Cross ocupará faixa entre R$ 80 mil e R$ 110 mil.

Dinâmica de condução
O T-Cross possui elementos típicos de um SUV, como a boa largura, músculos acentuados, ponto H ligeiramente elevado e boa visibilidade dianteira (a traseira nem tanto, por conta da grossura das colunas C). Entretanto, a altura comedida (1,57 metro), as respostas diretas da direção elétrica e as suspensões mais firminhas que as do sedã Virtus o deixam com uma dinâmica interessante. Os balanços curtos também garantem manobras relativamente ágeis para os padrões de um utilitário esportivo.

Visual sóbrio demais
Pelos croquis e pelos traços ainda camuflados dos protótipos já é possível vislumbrar como será o visual do T-Cross. Feio? Longe disso. Na verdade, o SUV ostenta boa dose de bojo e músculos, além de uma surpreendente elegância na porção traseira ao contar com um refletor integrando as duas lanternas. Ainda assim, desenho parece sóbrio -- como todo Volkswagen -- e propenso a comparações com outros utilitários da marca, como Tiguan e o vindouro Tarek. Prepare-se, pois em breve expressões como "T-Crossão", "Tarekinho" e "Tiguanzinho" se tornarão comuns.

Porta-malas limitado
A Volkswagen afirma que o volume do bagageiro chega a 420 litros a depender da angulação do encosto lombar traseiro. Mas sejamos sinceros: o momento em que mais se precisa de um porta-malas amplo é numa viagem com três ou quatro passageiros a bordo. Como obrigar quem senta no banco de trás a ficar com a coluna 100% ereta durante horas de viagem numa situação dessas, não é mesmo? Isso que significa que o volume mais realista é o de 373 litros, quando a segunda fileira de assentos está em sua posição original. Pouco atrativo em um segmento onde quase todos os concorrentes passam "naturalmente" de 400 litros.

Acabamento simples
Grande calcanhar-de-Aquiles de Polo e Virtus, o acabamento também deve gerar críticas ao T-Cross. Configuração final de revestimentos e paineis ainda não foram reveladas, mas pelos desenhos já se pode esperar por predominância de plástico duro, com um ou outro elemento de padrão superior em relação ao hatch e ao sedã que dividem plataforma com o SUV. Dois exemplos disso constam neste esquete: as faixas contrastantes espalhadas pelo painel e o console central parcialmente elevado à frente da manopla de câmbio. Estritamente urbano
Não que isso seja um defeito, já que quase todos os SUVs compactos possuem essa mesma proposta, mas não seria ruim se o T-Cross oferecesse tração integral ao menos em sua versão de topo, algo que a Ford explora com o EcoSport Storm. Veja bem: sequer estamos falando de um sistema 4x4 com reduzida e capacidade off-road acentuada, caso do Jeep Renegade diesel, mas sim de um recurso que contribuiria para melhorar a estabilidade de um modelo que terá desempenho forte na configuração 1.4 TSI, principalmente na estrada. Infelizmente não será assim: o "suvinho" da Volkswagen terá sempre tração 4x2 dianteira.

Cadê alguns equipamentos?
Desenvolver um carro é como montar um quebra-cabeça: para que algumas peças encaixem nos custos previstos, outras acabam ficando de fora. No caso do T-Cross, preferiríamos itens como controle de cruzeiro adaptativo, assistente de manutenção em faixa e freio de estacionamento elétrico, que aos poucos começam a virar realidade em outros modelos pertencentes ao segmento, a um teto solar panorâmico. Também não entendemos por que a fabricante preferiu não instalar um banco traseiro corrediço, solução já presente em outros carros nacionais seus e que resolveria de maneira mais efetiva o problema do porta-malas limitado.

UOL – TESTES E LANÇAMENTOS – 11/10/2018