Acontece no Setor | Fenabrave Fenabrave - Acontece no Setor
Indicadores
Atualizado em 11/01/2019
  Compra Venda
Comercial R$3,709 R$3,711
Turismo R$3,560 R$3,860
29º Congresso & ExpoFenabrave

Demanda da China por soja brasileira está caindo, afirma Cofco

11 / 01 /2019

O apaziguamento da disputa comercial entre EUA e China significa menor demanda pela soja do Brasil, maior exportador mundial do produto.

Esta é a avaliação da Cofco, a maior companhia chinesa de alimentos. Embora Washington e Pequim ainda não tenham chegado a um acordo, as vendas de soja brasileira estão estagnadas, de acordo com Eduardo Gradiz, presidente da divisão de grãos e oleaginosas da empresa no País. No mercado doméstico, os preços estão caindo diante da perspectiva de recuo das exportações neste ano.

Os agricultores brasileiros estiveram entre os primeiros a ganhar com a tensão comercial. Quando a China rejeitou produtos agrícolas americanos, a demanda pela soja brasileira disparou e o ágio no mercado doméstico também. Mas os padrões estão mudando novamente.

Segundo Gradiz, as vendas futuras da safra estacionaram em torno de 24 por cento, praticamente o mesmo nível visto um mês atrás, logo depois que China e EUA declararam trégua temporária. Se chegarem a um acordo, as exportações de soja pelo Brasil podem diminuir em até 6 milhões de toneladas neste ano, afirmou ele.

"Não tem procura pela soja brasileira", disse Gradiz. "Na medida que o tempo passa, as chances de um acordo entre EUA e China aumentam."

Enquanto isso, os agricultores relutam em vender com os preços locaisem queda. Oprêmio da soja brasileira sobre os contratos futuros negociados em Chicago atingiu um pico em outubro, mas encolheu mais de 70 por cento e voltou para o patamar observado antes da guerra comercial.

A colheita apenas começou. A safra brasileira pode ser menor do que a de 2018, mas ainda será enorme. Nos EUA, a última safra foi gigantesca e ainda há muito produtoem estoque. Oscontratos futuros em Chicago perderam quase 7 por cento no ano passado, sob a influência da disputa comercial e de estoques abundantes.

"Os produtores do Brasil certamente terão retornos menores neste ano", disse Gradiz.

E as más notícias não param por aí. Condições climáticas adversas diminuem a produtividade das lavouras.

A Cofco baixou a estimativa para a safra brasileira de 122 milhões de toneladas para 119,5 milhões. A seca no Paraná e no Mato Grosso do Sul prejudica as plantações e a empresa pode reduzir ainda mais a projeção, dependendo das chuvas nos próximos 60 dias, de acordo com Gradiz.

"Os modelos climáticos não mostram grandes problemas climáticos à frente" e as perdas de safra podem começar a se estabilizar.

UOL - São Paulo - SP - 11/01/2019