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Moura planeja montar baterias para elétricos

21 / 10 /2019

Moura planeja montar baterias para elétricos

Com os primeiros contratos recém-negociados, a Moura já planeja os próximos passos para surfar na onda de veículos elétricos que começa a chegar também ao Brasil. A primeira fase desse novo desenvolvimento da fabricante brasileira de baterias de Pernambuco foi criar, em 2018, uma divisão dedicada ao negócio de lítio. A segunda etapa desse processo está acontecendo agora: este mês a Moura foi escolhida para fornecer e fazer a gestão do ciclo de vida de módulos de baterias importados da chinesa CATL, que vão equipar o ônibus híbrido DualBus da Eletra e os modelos que serão produzidos pelo e-Consórcio da VWCO, que começa a fabricar o caminhão leve e-Delivery até o fim de 2020.

A Moura foi formalizada pela Volkswagen Caminhões e Ônibus no e-Consórcio na Fenatran 2019, que aconteceu de 14 a 18 deste mês. Neste modelo de negócio, os integrantes investem e participam da montagem dos veículos elétricos que será feita em Resende (RJ), mas suas funções extrapolam os limites da fábrica, como é o caso da Moura, que também fará a gestão do ciclo de vida das baterias, com assistência técnica e encaminhamento para reutilização ou reciclagem, aproveitando sua experiência de mais de 50 anos na produção e reciclagem de baterias automotivas de chumbo-ácido. “Nos próximos meses vamos definir como será o desenho da operação completa”, conta Fernando Pontual Castelão, diretor da Divisão de Lítio da empresa.

EVOLUÇÃO DA ELETRIFICAÇÃO NO BRASIL
Se montar os módulos de baterias para veículos elétricos no Brasil é algo que começa a ser tornar visível no horizonte de dois a três anos, segundo Castelão, fazer as células de lítio aqui é algo bem mais complicado. “É uma tecnologia bastante complexa e fazer uma fábrica desses componentes exige investimentos bilionários, no momento distante de nossa realidade”, avalia. Em recentes anúncios nos últimos anos, fabricantes de veículos europeus divulgaram investimentos em unidades de produção de baterias de lítio que variam de € 900 milhões a € 2 bilhões.

Castelão vislumbra que no Brasil a eletrificação do powertrain vai acontecer mais rapidamente para caminhões e ônibus, isso porque apesar de o pacote de baterias ainda custar quase o mesmo que um veículo inteiro a diesel, o uso comercial da tecnologia se paga com a sensível redução de mais de 50% nos custos de operação, pois elétricos têm menos componentes e necessitam de pouca manutenção.

O executivo destaca que o fornecimento de baterias para elétricos ou híbridos só é possível quando se participa diretamente do projeto. “É algo que já nasce com o modelo, com configurações projetadas pela montadora”, explica. Por isso ele avalia que a Moura deverá evoluir com o fornecimento de baterias de lítio para veículos projetados no Brasil, como é o caso dos caminhões Volkswagen.

A Moura aposta que pode se beneficiar de algumas vertentes da eletrificação no Brasil, como é o caso da combinação do powertrain elétrico com motores a etanol – caso do recém-lançado Toyota Corolla híbrido flex. Também está no alvo o crescente mercado de ônibus elétricos ou híbridos, que serão necessários para o cumprimento de metas de redução de emissões. Castelão lembra do projeto da cidade de São Paulo de cortar 100% das emissões de CO2 em escala gradual nos próximos 20 anos. “Se São Paulo fizer isso outras grandes cidades do País certamente vão fazer o mesmo”, espera.

O executivo calcula que começa a se tornar viável uma fábrica de montagem de módulos a partir da capacidade de 1 GW (gigawatt) por ano, o suficiente para abastecer cerca de 2,5 mil ônibus elétricos por ano. É apenas uma pequena parcela do que está para acontecer no mundo. Hoje a capacidade instalada estimada de produção de baterias de lítio é de 250 GW/ano e até 2025 este índice deve subir para 1.250 GW/ano.

AUTOMOTIVE BUSINESS – 18/10/2019