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Com aumento da crise na Venezuela vendas brasileiras despencam 55,4%

15 / 05 /2017

As exportações brasileiras para a Venezuela caíram 55,4% entre janeiro e abril deste ano, na comparação com igual período de 2016. Se essa trajetória for mantida até o final de 2017, a retração nos embarques será registrada pelo quinto ano consecutivo.

Em 2012, as vendas para o então parceiro do Mercosul atingiram US$ 5,056 bilhões, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Naquele ano, a Venezuela ficou na oitava posição entre os principais destinos dos produtos brasileiros, à frente de potências mundiais, como Itália e Reino Unido, e de todos os países da América Latina, exceto a Argentina.

Já no primeiro quadrimestre de 2017, os venezuelanos não apareceram entre os 40 maiores compradores, ficando atrás de países distantes do Brasil, como Tailândia e Cingapura, e de Peru, Paraguai, Uruguai, México e outros vizinhos regionais. Neste período, os gastos com mercadorias brasileiras ficaram em apenas US$ 152 milhões, abaixo do valor que era gasto mensalmente nos primeiros anos da década.

De acordo com especialistas consultados pelo DCI, uma reversão no quadro atual deve levar algum tempo. "Seria necessária uma reestruturação da Venezuela, tanto política, quanto econômica", indica Angela Santos, Consultora Sênior de Comércio Exterior da Thomson Reuters.

Sobre o âmbito econômico, ela destaca a elevada dependência venezuelana da exportação de petróleo, além da inflação alta e da retração no Produto Interno Bruto (PIB). "Não passa muita confiança aos investidores". Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a queda na atividade será de 7,3%, em 2017, e os preços devem avançar 720,5%.

Os quadros político e social não são fáceis. Enquanto o acesso a produtos básicos fica mais difícil e os salários caem, o governo enfrenta grandes protestos de rua pelo país.
Outro aspecto fundamental para a relação entre os países será o futuro do Mercosul, afirma Tomaz Paoliello, professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

"Um bom funcionamento do bloco fortaleceria o comércio entre os membros. Mas, recentemente, a Venezuela se afastou um pouco do Brasil e da Argentina, por motivações políticas, o que acaba complicando as conversas no Mercosul". Em 2016, o país governado por Nicolas Maduro foi suspenso no bloco.

Queda generalizada

As compras brasileiras de produtos venezuelanos também despencaram nos últimos anos. O valor gasto no ano passado - US$ 415 milhões - não chegou à metade das quantias que foram vistas entre 2011 e 2014. Em 2017, as perdas continuam: entre janeiro e abril, as importações recuaram 16,3%, para US$ 165 milhões.

"O Brasil também vive grande crise econômica", justifica Paoliello. Ainda que as perspectivas para a retomada brasileira sejam melhores, segue ele, a situação atual do País não favorece uma melhora nas compras da Venezuela.

Negócios em alta

Vivendo uma realidade diferente, os outros países acima da fronteira norte do Brasil ampliaram suas importações neste ano. Guiana, Guiana Francesa e Suriname, juntos, gastaram R$ 17,5 milhões em produtos brasileiros entre janeiro e abril, uma alta de 22,5% no confronto com igual período de 2016. Destaque para as aquisições da Guiana, que cresceram 41,7%, para US$ 9,2 milhões.

As compras dos três países se estendem por diversos tipos de manufaturados, indo de ladrilhos, o produto mais importado por Suriname em 2017, a calçados, que têm grande espaço nas trocas comerciais com a Guiana Francesa.

DCI - ECONOMIA - São Paulo - SP - 15/05/2017 - Pág. 6
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